Escola Infantil Santa Rosa

Esta escola de bairro pobre, periférico, exterioriza seu caráter público espelhando, ao mesmo tempo, uma domesticidade idealizada. Não se trata de representar uma casa, mimetizando-a com o entorno, mas de evocar a imagem da morada, do lugar que abriga a família: escola e casa são vistas em mútua correspondência. Por isso sua postura diante da aspereza do entorno é acolhedora e transformadora. Aceitando os desafios de uma implantação adversa, esforça-se em afirmar interiormente a individualidade da escola sem dissociá-la exteriormente do contexto, do qual se aproxima respeitosamente sem, contudo, reproduzi-lo. Daí resulta uma arquitetura cujo objetivo é a organização de um espaço público capaz de constituir um fragmento reconhecível de cidade. A escola ocupa seu lugar, e ao fazê-lo transforma discretamente os contornos antes indistintos de um espaço urbano residual, tornando-o lugar reconhecível como referência figurativa e marco orientador do bairro e seus caminhos.

Em recesso desenhado no agudo ângulo de encontro das duas ruas situa-se o acesso principal à escola, demarcando pequeno largo "monumentalizado" pela inclusão de frontão estilizado na fachada, à maneira do prédio público tradicional, presente com freqüência nas cidades interioranas de onde provêm muitos dos moradores locais. A continuidade das fachadas laterais acentua a presença dos espaços abertos (largo junto à esquina, praça junto à base do terreno triangular), alternando formas distintas de ocupação do espaço público. Essas fachadas diferenciam-se nitidamente. De um lado estende-se grande muro contínuo, cuja superfície de tijolos é de tanto em tanto perfurada por pequenas janelas que sobre ela se distribuem em diferentes alturas, permitindo a crianças e adultos a convivência com diferentes escalas de contato entre o exterior e o interior do prédio. Do outro, rompe-se o muro para dar lugar a telhado que aflora em beiral sobre a rua, à maneira das casas vizinhas, interrompido pela linha vertical da chaminé da lareira que demarca, no interior da escola, a sala de reuniões comunitárias.

A composição é habilmente trabalhada para oferecer a quem circunda o edifício relativamente pequeno uma multiplicidade de leituras que desdobram as formas de relacionamento do prédio escolar com o bairro.

Rogerio de Castro Oliveira

Projeto
Flávio Kiefer
Localização
Porto Alegre/RS
Área do Terreno
0 m2
Área Construida
980 m2
Data do Projeto
1992
Colaboradores
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