Portais do Rio Grande

O Rio Grande do Sul é um estado de tradições. A proposta do Governo do Estado de construir os Portais do Rio Grande ressalta uma das mais antigas destas tradições: a hospitalidade. Outra característica marcante do nosso estado é a preocupação com o reforço de sua identidade. O Rio Grande do Sul quer ser um estado da federação brasileira com características próprias. As vezes, no tradicionalismo conservador, este esforço resvala para o exagero e o kitch. Sem nenhuma necessidade. As particularidades autênticas que distinguem o Rio Grande do Sul são inumeráveis e de grande valor.

A partir destas considerações e como resposta à solicitação de um marco visual do edital, os Portais foram projetados como um abrigo que recebe e acolhe, em vez de mais um marco ou um totem. Num sentido mais primitivo, há uma idéia de sombra e água oferecida aos viajantes. Este marco, portanto, não é pontual, ele vai se construindo, como a vegetação que vai se adensando à medida que se aproxima do rio. Para isso a arquitetura, o paisagismo, a comunicação visual e a própria engenharia estrutural formam um todo único.

Esta maneira de conceber os abrigos facilita a expansão da área construída sem perda das características originais, ao mesmo tempo que cria uma idéia de dinamismo e crescimento. É deliberada a intenção de ressaltar a idéia de algo em construção, como um jogo de montar formado por partes bem definidas e compreendidas.

Os elementos principais desta arquitetura são muito baratos e identificados com o Rio Grande do Sul: toras de eucalipto formando a estrutura, pedras de roça para arrimos, pedras de arenito (grês) para paredes estruturais e lajes grês para pavimentação.

A estrutura da marquise, o abrigo, tem um único apoio, que é reforçado com peças metálicas para resistir ao momento fletor. Os serviços de apoio são resolvidos em uma estrutura própria, de alvenaria de pedra autoportante e vigas de eucalipto que dispensam vigas transversais de concreto.

Eucaliptos, ou outra árvore frondosa, dependendo da região fronteiriça, plantados nos limites posteriores dos terrenos, estabelecem um limite visual, como um pano de fundo delimitando o cenário do Portal. Árvores de menor porte, como hibiscus e espirradeira, acentuam as linhas diagonais principais que se quer ressaltar no projeto e dão um colorido especial, com predominância dos vermelhos, a estas linhas. Nas áreas lindeiras às estradas, predomina a vegetação rasteira e a pavimentação homogênea para que os elementos verticais, as bandeiras, o totem, o posteamento que se transforma em estrutura, sejam ressaltados.

Flávio Kiefer

Projeto
Flávio Kiefer
Localização
Porto Alegre/RS
Área do Terreno
10000 m2
Área Construida
5200 m2
Data do Projeto
1997
Colaboradores