Proc. Regional da República

“O edifício deverá revelar um caráter aberto, visível e acessível a todos os segmentos sociais, especialmente os mais vulneráveis. Deverá estimular a empatia entre o Ministério Público e o cidadão, difundir pedagogicamente um padrão público de austeridade sem perda de dignidade, sobriedade sem necessidade de excessos, de funcionamento e eficiência sem desperdícios, de requinte estético e arquitetônico a dispensar luxo, de economicidade e durabilidade a não onerar os cofres públicos com manutenção dispendiosa e de conforto e capricho sem ostentação.”

 

A frase em epígrafe, retirada do edital deste Concurso, ratifica uma das características mais conhecidas da Procuradoria da República: sua proximidade com a sociedade brasileira. A tradução desse fundamento em projeto de arquitetura é formulada a partir das seguintes diretrizes:

1 – referenciar e resgatar valores da arquitetura de prédios públicos incorporando-os à contemporaneidade dos valores ecológicos e de sustentabilidade, de multiplicidade e simultaneidade, de conexão com o mundo globalizado e compromisso com o regional e de uma estética livre de preconceitos mas com princípios;

2 – utilizar o repertório formal adequado ao contexto de urbanismo moderno (quarteirão tem semelhança com as superquadras de Brasília), como o uso de pilotis, terraço-jardim, jardins, brises, obras de artistas plásticos na fachada e em espaços internos

3 – aproximação do acesso principal à calçada, utilizando o tradicional pilotis, referência aos bem sucedidos prédios públicos brasileiros e franqueamento da praça sobre as garagens como espaço cívico em extensão ao projetado para o interior do quarteirão;

4   a -  acesso independente ao auditório pelo hall do térreo e pela praça, criando a possibilidade de seu uso de forma autônoma;

       b - preocupação com a forma acústica do auditório, permitindo que ele se transforme em excelente sala de concertos;

5 – ocupação parcial do terreno, como exemplo de preocupação com a permeabilidade do solo; e uso da cobertura das garagens como praça com jardins e bacias acumuladoras das águas pluviais para aproveitamento nas descargas sanitárias e irrigação dos jardins;

6 – presença de vegetação como fator de humanização e amenizador do clima, inclusive nos andares superiores do edifício;

7  – uso de materiais em estado bruto, expressando a localização regional e facilitando a manutenção e conservação. A pedra de arenito, polida e não polida, o concreto à vista, o aço patinável tipo cosacor, o alumínio natural; 

8 – setorização do edifício em ambientes perfeitamente configurados, humanizando as relações de trabalho e o relacionamento com o público visitante, permitindo que funções diferentes se realizem em espaços também diferenciados.

9 –  criação de uma praça interna com vegetação, ventilação natural e painel artístico, para descanso, confraternização ou fumantes no sétimo pavimento, centro de gravidade dos andares de trabalho;.

10 – integração da arquitetura com a arte, destinando 1,5% do orçamento geral para obras de arte, projetadas de forma especial e integradas com o projeto de arquitetura;

11 – economia de energia com a proteção total de insolação indesejada e uso de cores claras nos ambientes internos para maior rendimento lumínico;

12 – facilidade de manutenção da infraestrutura, com a racionalização do uso de forros falsos e uso de pisos elevados;

13 – conforto aos funcionários com pés-direitos mais altos, segurança na abertura das janelas e maior personalização dos espaços com a setorização dos edifícios;

 

Projeto
Arq.Flávio Kiefer, Arq.Marcelo Nunes Kiefer, Arq.Renato Marques Fernandes
Localização
Porto Alegre/RS
Área do Terreno
100000 m2
Área Construida
2700 m2
Data do Projeto
Colaboradores
Arq.Fabrício Siqueira, Acad.André Moraes, Gisela Waetge, Maria Lucia Cattani, Mauro Fuke, Nick Rands, Acad.Roberta Tejada Neuzling Lopes, Eng. Antônio Pasqualli