A Arquitetura no Projeto de Recuperação do Centro Cultural Usina do Gasômetro

Quando a 3C ARQUITETURA + Kiefer ARQUITETOS se uniram para realizar o projeto de revitalização da Usina do Gasômetro, o que percebemos como verdadeiro problema de projeto derivava das seguintes questões: como organizar a circulação do público, atender a legislação em vigor, solucionar a falta de hierarquia funcional e espacial, a sensação de insegurança e a falta de conforto deste centro cultural? Como transformá-lo em uma referência também pela arquitetura contemporânea?

A resposta que encontramos foi transferir para a Galeria dos Arcos a responsabilidade de controlar o acesso do público, transformando-a em espaço de acolhida dos visitantes, organizador e distribuidor da circulação interna a cada uma das atividades que o a Usina abriga. Dois acessos, um ao norte e outro ao sul, transformam a Galeria dos Arcos em passagem pública que liga o lado do cais do porto com à orla, retomando o endereço original: Rua dos Andradas nº 10.

Um segundo eixo, transversal ao primeiro, no quarto pavimento, une os terraços leste oeste, criando um espaço de convivência pública coberta – sob as tremonhas - e descoberta – terraços. Como em uma rua ou praça, o público terá à sua disposição o desfrute da arquitetura do prédio, da paisagem urbana ou natural, de salas de cursos e oficinas e de um restaurante. O restaurante se estende pelo deck do terraço com suas mesas protegidas por coberturas móveis.

No cruzamento destes dois eixos horizontais, um novo eixo de circulação vertical e de utilidades para o público atende a todos os pavimentos do centro cultural. Nele, o público encontrará orientação e acesso fácil a todas atividades e aos sanitários, agora todos localizados em uma mesma prumada. O Mezanino (segundo-pavimento) poderá ter atividades independentes do térreo quando acessado por esta circulação. O terceiro pavimento terá atividades administrativas e internas. As atividades dos grupos de teatro seguirão no quinto pavimento, mas ganharão maior controle de acesso. O sexto pavimento, hoje administrativo e subdivido, será transformado na Galeria Iberê Camargo e Coleção Aplub potencializando a beleza de sua espacialidade e estrutura.

Um segundo eixo vertical serve ao Teatro Elis Regina, às salas do segundo e terceiro pavimento e ao terraço oeste. A sala PF Gastal, relocalizada no térreo, segue a mesma lógica de concentrar as atividades de auditório em uma mesma prumada e com acessos independentes das demais atividades da Usina.

O que hoje é o hall da Usina ganha a expressão que lhe cabe, passando a ser um espaço exclusivo para exposições e eventos de grande porte conectado apenas visualmente com as áreas de circulação de público. O que hoje é o acesso passa a ter função de café que atende tanto o público externo quanto o público dos eventos ou das exposições.

Muitas outras funções e atividades de serviço e infraestrutura serão acomodadas de forma invisível para o público visitante. O projeto responde ainda a questões como PPCI, climatização, montacargas, doca e muitas outros itens fundamentais para contemplar o edifício da segurança e conforto.

Projeto
Alexandre Santos Leonardo Poletti Leonardo Hortêncio Tiago Holzmann Flávio Kiefer Lídia Arcevenco
Localização
Porto Alegre/RS
Área do Terreno
None m2
Área Construida
1275852 m2
Data do Projeto
2016
Colaboradores
3C Arquitetura + Kiefer Arquitetos